Produção dos azeites Vale de lobos

Tive uma reunião de manhã e as 11:30 corri para a estação de trem Santa Apolônia, porque tinha marcado um encontro com os produtores do azeite Vale de Lobos em Santarém, que fica na região de Ribatejo a quase uma hora de Lisboa. A quinta Vale de Lobos esta na mesma familia ha mais de 3 séculos, Dom Pedro II já esteve lá visitando o poeta e historiador Herculano que viveu na Quinta entre 1867 a 77..
a_oliva_4.jpg

a_casa3.jpg

O casal de proprietários Joaquim e Verônica dividem a condução dos negócios, sendo que Joaquim Engenheiro agrônomo formado no Canada cuida da produção, colheita e beneficiamento e sua mulher Veronica, com diversas especializações em negócios e uma MBA em Marketing pela Kellogs cuida da parte administrativa, sendo responsável também pela exportação dos azeites. O casal viveu muito tempo for a de Portugal, desenvolvendo suas atividades profissionais em outros campos, mas quando Joaquim recebeu a Quinta como Herança os dois retornaram a Portugal para dar continuidade a uma tradição sécular da família e de um azeite que ja havia ganhado medalha desde o sec. XVIII e não só isso, tinham grande experiência internacional e bagagem para mudar a história dos azeites da Quinta Vale de Lobos transformando-o no que ele é hoje, um dos melhores azeites produzidos em Portugal.
a_casa1.jpg
a_casa.jpg

Chegando em Santarém peguei um taxi fui para a Quinta, uma propriedade com 250 hectares de oliveiras onde são produzidas 4 ou 5 variedades de olivas, estes varietais são utilizados para produzir um blend. Neste negócio, é necessário ter um dom meio alquimista, porque o produtor sabe que dependendo da temperatura durante o processo de amadurecimento as olivas podem variar muito em relação ao gosto e dependendo do estágio em que ela é colhida o azeite produzido por elas também pode variar. O produtor tem em mãos uma difícil escolha pois precisa definir segundo as informações que tem o estagio da colheita segundo a media da temperatura daquela safra e isso deve ser feito para cada variedade e também pelo Terroir, já que a região tem micro clima diferentes dentro da propriedade, esta proxima ao Rio Tejo 5 min e a 10 min do Mar, a propriedade esta numa colina onde ha campo e bosques…tudo isso influência. A agua utilizada também tem papel importante e eles utilizam uma agua mineral já que a propriedade tem uma nascente natural…

a_estacao.jpg

Andamos por todo a propriedade e Joaquim foi me contando sobre as estações meteriológicas que mantem na propriedade, cada plantação é monitorada por sensores que registram como o solo esta em relação a água e outros detalhes que são corrigidos imediatamente.

a_oliva_1.jpg

a_oliva_2.jpg

As Olivas serão colhidas em novembro e ate o final de Dezembro ele ja tera azeites por varietais e só então ele deverá fazer os Blends.

a_oliva_7.jpg

a_oliva_8.jpg

a_oliva6.jpg

a_oliveira_7.jpg

a_oliveira_9.jpg

a_oliveira4.jpg

A colheita é feito por varietal, e o azeite é produzido com até uma hora e meia da colheita. O melhor azeite é o extravirgem prensado a frio sem filtragem, é um pouco turvo mesmo. Todo o cuidado é pouco na hora da prensagem pois folhas, galhos e terra devem ser retirados antes, somente os frutos devem ser prensados com caroço e tudo e o caldo resultante é passado numa centrifugadora para separar o oleo da agua… tai o azeite.

a_oliveira9.jpg

a_variedades.jpg

Tendo feito este processo Joaquim disse que não tem como o azeite ser ruim, pois sendo bem feito todo o azeite é de boa qualidade, aí tem uma questão de gosto pessoal resultante da variedade da oliva, uns mais frutados outros mais amargos, outros picantes… por isso Joaquim prepara um blend com diversos varietais para equilivrar o gosto deixando-o mais frutado, um sutil amargo e um picante secundario.

Passamos então para a Prova

Veronica deixou preparado uma degustação em quanto caminhavamos pelos olivais, ela separou em três copos um azeite sem filtrar, um varietal e um blend

Eu acertei todos evidentemente pois ja havia participado de diversas degustações de azeites.

Mas as impressões são as seguintes:

a_provab.jpg

Na prova A : Era um pouco turvo mas incrivelmente brilhante para uma prova não filtrada, tom dourado. Antes de provar é preciso tampar o copo precionando com a mao durante alguns segundos para prender os odores e solta-los, nesta prova um cheiro fresco, ja remetendo um pouco para as colinas e se você fechar os olhos vai até imaginar os lobos correndo pelos campos… Frutado, maçã , nozes e um picante logo em seguida bastante persistente e praticamente sem notas amargas.

A cada passagem da prova é preciso comer um pedaço de maçã para quebrar o gosto do azeite anterior.

Na Prova B: Um azeite muito equilibrado, frutas, maçã, e uma complexidade trazida pelos ventos que cortam as colinas de Santarém são uma mistura de perfumes de ervas selvagens…amargo sutil que lembra nozes e castanhas, a primeira nota é sempre o frutado seguido pela nozes e depois um picante indicando que o azeite é jovem e pronto para ser degustado.

Na prova C: Evidentemente o Varietal, pouco frutado, bastante picante e com notas amargas.

Passado a prova nos parte da prova fomos degustar o azeite de tres formas:
Com tomate frescos
Com ervas selvagens
Com queijo fresco de ovelhas
Pães e Vinho Tinto da Região de Santarém, bastante encorpado, frutas vermelhas, excelente vinho para acompanhar os azeites.

3 Responses

  1. que divino

  2. Unconditioned says : I absolutely agree with this !

  3. Sempre tive vontade de ver um pé de Oliveira, pois no meu
    pais não tem este tipo de planta. Estamos tentando desenvolver um tipo adequado ao clima.
    Posso dizer o mesmo com respeito a árvore da maçã.
    Parabéns pela reportagem.. Foi indicada por uma pessoa
    moradora de Santarem.. abraços e muito obrigado.

Leave a Reply